parte 2: Núcleos de varinhas e seus significados

Nesse texto, vamos explorar os significados e as aplicações dos materiais adquiridos a partir de três das mais famosas criaturas mágicas brasileiras, sendo uma delas a mais difícil de se encontrar.





Boitatá: As boitatás são também conhecidas como “o fogo que corre”, muitas vezes confundidas com tochas sendo carregadas pelas matas. As boitatás são grandes serpentes de coloração azulada que produzem algo como um fogo que mescla o azul e o alaranjado, e essas chamas se concentram normalmente nas cabeças dessas serpentes podendo se espalhar completamente pelo comprimento do corpo dependendo da situação emocional dela. Boitatás já foram criadas como bichos de “estimação” por comunidades nativas do sul do país, mas essa prática foi encerrada após o grande incêndio de 1 de fevereiro de 1974.

Boitatás são criaturas protetoras e atenciosas, mas dóceis se você souber respeitar seu espaço. Na proteção das matas é possível afirmar que as boitatás conseguem controlar incêndios e até absorvê-lo em suas escamas azuis, podendo também dominar as chamas de forma psíquica a fim de perseguir os incendiadores criminosos.


Sobre o efeito: Existe um ditado que diz: “O dono perfeito pra uma varinha com escama de boitatá é uma coisa difícil de se achar”.

As varinhas que possuem o núcleo dessa criatura em seu cerne são tempestuosas e astutas, podendo executar toda sorte de feitiços, por mais que não concordem com isso, bastando estar nas mãos de um portador corajoso e seguro de si. Alguns artesãos mais antigos afirmavam que as varinhas com escama de boitatá escolhiam apenas aqueles que tinham algum tipo de fama natural, aqueles capazes de atrair holofotes pra si, e há quem diga também (eu mesmo concordo com isso) que alguns tipos de boitatás são capazes de fazer pequenas previsões futurísticas, e quando a escama de uma dessas criaturas especiais é agregada a uma varinha, ela certamente aceitará apenas um feiticeiro com firmes talentos divinatórios. As escamas da boitatá são muito rígidas e difíceis de encontrar, pois as serpentes fazem raras mudas de pele liberando apenas algumas escamas a cada década. Por conta disso é possível encontrar boitatás muito idosas e, ainda assim, bem pequenas (se é que dá pra chamar uma serpente de 15 metros de pequena!).


Curiosidade sem magia: Em 1974, um feiticeiro contrabandista que possuía residência em São Paulo, se viu no meio de uma tremenda confusão que viraria uma tragédia ainda maior. Como já foi dito, era de certa forma comum que algumas comunidades do sul utilizassem boitatás como forma de aquecer suas casas e propriedades nas épocas de maior friagem. Foi graças a isso que o bruxo Rolf Victor começou uma criação de boitatás em seu apartamento, se utilizando de um feitiço muito fraco de expansão predial, que hoje conhecemos como “o encantamento do espaçoso”; sendo que, o que ele não sabia é que algumas daquelas boitatás já estavam em idade de reprodução e colocariam ovos incandescentes em breve. Na manhã do dia primeiro de fevereiro daquele ano, Rolf deixou o apartamento (e as boitatás) para tomar um café no Empório A Vassoura (que viria a se tornar o famoso bar bruxo Vassoura Quebrada, mas a história de como essa vassoura quebrou é mantida em segredo, debaixo de sete varinhas!) e, no exato momento em que deixou o prédio, o incêndio começou. Um evento terrível que deixou marcas mágicas e não mágicas até hoje na cidade de São Paulo, e ficou conhecido como “o incêndio do edifício Joelma”, e desde esse dia foi instaurada uma lei de proteção absoluta às boitatás e quaisquer criaturas inflamáveis de pequeno e médio porte.





Caipora: De início, é importante falar que há divergências quanto à aparência das Caiporas, pois os encantados e feiticeiros que já tiveram contato com essas criaturas conseguem apenas fazer relatos confusos e nebulosos, e isso se deve aos olhos perolados das Caiporas que, se mirados diretamente, podem confundir os sentidos e até causar pequenos vislumbres dos dias por vir. Há relatos de Mbaépajés que afirmam que as Caiporas possuem um corpo recoberto de madeira vermelha como a do pau-brasil e que possuem folhagens no lugar de pelos e cascos revestidos de raízes no lugar dos pés. Dizem também que as Caiporas possuem o poder único de trazer animais mortos de volta à vida e controlar esses animais, geralmente guiando-os para lugares mais seguros. Caiporas normalmente andam acompanhadas de diversas criaturas nativas das matas, como porcos do mato, bugios e jaguatiricas, e carregam consigo uma lança feita de madeira pura com ponta de pedra.


Sobre o efeito: Uma varinha que contenha o núcleo de Caipora sempre escolherá alguém que prefira passar os dias com os pés descalços. Um espírito ligado à natureza é de extrema importância se o feiticeiro quiser criar uma ligação forte com uma varinha que contenha o núcleo dessa criatura. As varinhas com núcleo de cascos de Caiporas preferem àquelas pessoas que mantém o frescor e a curiosidade da infância, independente da idade. Esse tipo de varinha pode fazer travessuras e há relatos de pessoas que passaram dias sem ver suas varinhas para depois encontrá-las bem à vista, como se elas gostassem de se esconder.


Curiosidade sem magia: Se você possui magia, fique atento ao entrar nas matas. Caso você escute o vento balançando as folhas ou os barulhos de animais nos galhos, pode ser uma Caipora tentando chamar sua atenção ou distrair você de algum animal que está passando por perto.





Curupira: Das criaturas mágicas brasileiras, o Curupira é um dos mais interessantes, sendo descrito como seres baixinhos de pés virados para trás e cabelos vermelhos flamejantes (muitos confundem a coloração vermelha dos cabelos dos curupiras com fogo). Os Curupiras aprontam com qualquer um que tentar invadir seus territórios, criando armadilhas e fazendo danações. Essas criaturas são protetoras das terras do primeiro Centro de Formação de Pajés e também da Escola Superior Enoch (ESE).


Sobre o efeito: O único elemento extraído de um curupira capaz de ser incorporado à madeira de uma varinha é o cabelo. Um único fio pode render magia poderosa durante séculos, mas esse elemento tem uma peculiaridade quanto à sua obtenção: os fios de cabelo de Curupira perdem o efeito quando caem da cabeça deles e também se extraídos à força, perdendo a coloração laranja-avermelhada e ficando cinzento e quebradiço. Para conseguir utilizar o cabelo de um Curupira como núcleo de uma varinha é essencial conquistar a confiança dessa criatura e demonstrar uma pureza de intenção ímpar, só assim o Curupira cede um ou dois fios de cabelo para o feiticeiro.

A combinação perfeita e mais poderosa para esse núcleo é a madeira de pau-brasil, varinhas com essa combinação são raríssimas, pois geralmente só é possível criar uma se o portador da varinha possuir fios de cabelo de Curupira que ele mesmo tenha conseguido após conquistar a lealdade do respectivo ser.


Curiosidade sem magia: Uma bruxa chamada Sebastiana uma vez executou um feitiço de alteração meteorológica e isso ocasionou um efeito colateral que deixou seus cabelos alaranjados e arrepiados por semanas, e isso fez com que ela ficasse conhecida como a Curupira Sebastiana, o que rendeu boas risadas para quem ouvia a piada e muitos dias de raiva para a pobre Sebastiana.





Referências e ilustrações retiradas do fabuloso livro da Thais Câmara "O guia das Criaturas Mágicas, desbravando terras brasileiras". Disponível na nossa loja virtual!

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