Parte 1: Núcleos de varinhas e seus significados

De início é essencial explicar a necessidade de se adicionar um núcleo mágico à varinha. É fato consumado que todo feiticeiro tem o potencial de executar magias sem varinhas, e um bom exemplo disso é a magia através de miçangas utilizada pelos povos mágicos originais do país que chamamos de Brasil. Mas, quando há necessidade de utilizar uma varinha, há também a necessidade de se adicionar um núcleo a ela. Esse núcleo irá potencializar a magia canalizada pela varinha tornando qualquer feitiço ou encantamento ainda mais forte e adicionando características únicas ao encantamento, seja na cor, no som ou somente na potência de seu efeito. Dito isso, é importante também ressaltar que nem todos os núcleos de varinhas são de origem animal, eles podem ser também de origem vegetal mágica, de origem etérea (como as seivas de algumas entidades ou espectros impregnados na madeira por meio de maldições ou sigilos mágicos) e, em alguns casos muito específicos, pode-se utilizar pedras ou cristais enfeitiçados como núcleo potencializador de magia. Só se tem registro dessa prática em grande parte no Oriente Médio e já faz mais de um século que nenhum feiticeiro varinhologista nasce com tamanho poder, um que seja capaz de enfeitiçar perpetuamente uma pedra (Para mais informações sobre pedras enfeitiçadas, leia o texto sobre as Icamiabas e o Reino das Pedras Verdes).

Nesta primeira parte, trataremos alguns dos núcleos mais famosos, por vezes, mais acessíveis também, e os núcleos favoritos dos artesãos da Hocus Pocus.

Todas as informações contidas neste texto são originais, obtidas após mais de 13 anos de pesquisas e estudos na área, com base em textos publicados de renomados autores nas áreas de pesquisa da fauna e flora mágicas do Brasil.





Mapinguari: Descrito como uma imensa criatura de pelos compridos e um tamanho colossal, pode atingir mais de 2 metros de altura, possui um único olho no meio da imensa cabeça e ostenta uma bocarra que vai do queixo até o meio da barriga. O Mapinguari é uma das criaturas que produz dois ou mais tipos de núcleos (sendo eles presas, pelos ou ossos). Os três núcleos obtidos a partir de um Mapinguari possuem a mesma base de poder, contando apenas com pequenas individualidades.

O elemento mais acessível de um Mapinguari é o seu pelo, e este pode ser encontrando em variações de preto-fosco, vermelho-encardido ou castanho-amarelado dependendo da área onde o Mapinguari habita, já que é possível encontrar a criatura na floresta Amazônica, dentro do Brasil, e também na Bolívia.


Sobre o efeito: O núcleo de Mapinguari confere à varinha um poder colossal, causando o que chamamos de estardalhaço, já que a combinação desse núcleo com madeiras brasileiras puras geralmente causa a execução de feitiços barulhentos e chamativos. Já o pelo do Mapinguari concede uma durabilidade ímpar às varinhas, enquanto suas presas tornam a varinha uma arma letal, sendo que o menor feitiço de desarmamento pode causar grandes ferimentos no oponente se mal executado ou se feito com pouca atenção. Os ossos do Mapinguari (matéria raríssima de se encontrar hoje em dia, levando em conta que essa criatura entrou na lista das 219 criaturas mágicas da fauna brasileira protegidas pela Confederação Internacional dos Bruxos) podem ser utilizados tanto para entalhar punhos maciços e leves de varinhas quanto para utilização de ponteiras, e, em ambos os casos, a varinha que receber o núcleo de osso de Mapinguari será uma varinha leal e combativa, capaz de executar tarefas mesmo com seu portador dormindo, podendo causar confusão ou diversão, dependendo do ponto de vista de quem vê.


Curiosidade sem magia: Todas as vezes que houve avistamentos de Mapinguaris por parte dos não-mágicos, eles foram descritos como enormes bichos preguiça e isso criou a lenda (entre os sem magia) de que existia uma criatura pré-histórica em formato de preguiça gigante vivendo nas matas do país que hoje chamamos de Brasil.





Cuca: A criação das Cucas já foi moda no Brasil, sendo um dos menores tipos de dragão que se pode encontrar no mundo, com a pele verde escamosa e cara de poucos amigos que pode enganar para quem não saiba que as Cucas, na verdade, são animais dóceis. Mas não baixe a guarda! Elas podem, sem querer, causar grandes estragos.

Essas criaturas foram trazidas para cá de terras europeias pelos portugueses que planejavam proteger as terras que lhes foram dadas colocando alguns pequenos dragões como guarda, mas, com o passar dos anos e a evolução dos meios de proteção mágicos, essas criaturas acabaram sendo soltas na mata Amazônica. Antigamente, quando os primeiros varinhologistas europeus chegaram ao Brasil, era possível encontrar dois elementos provenientes das Cucas para a confecção de varinhas: as escamas e os fios dourados de queratina que formavam jubas ao redor das cabeças das fêmeas. Mas esses fios dourados, embora belos e poderosos, eram adquiridos de forma cruel e dolorosa e essa prática felizmente foi proibida e muito bem fiscalizada em meados de 1780. Entretanto, as escamas são conseguidas com o passar do tempo, pois, com o crescimento das Cucas, algumas escamas do pescoço e das patas caem e há alguns negociadores amazônicos que recolhem esse elemento e revendem para a utilização em confecção de varinhas, sopas de vigor e elixires (como o elixir de Cuca para a pele).


Sobre o efeito: A escama de Cuca é, de longe, a matéria-prima mais maleável dentre os núcleos que se encontram no Brasil, podendo ser combinada com uma infinidade de madeiras e se encaixando perfeitamente bem com diversas personalidades de feiticeiros. A escama de Cuca produz um brilho esverdeado em grande parte dos feitiços executados com varinhas que possuem esse núcleo, mas esse efeito é melhor observado durante a noite. Portadores de varinhas com escamas de Cuca, geralmente, são pessoas de bom coração e mente tranquila, dificilmente você conseguirá tirar alguém que possua uma dessas dos eixos. Ainda assim, tenha cuidado com eles, bem como com as Cucas, essas pessoas podem ser um pouco ácidas, se necessário. É possível encontrar mais informações sobre a Cuca e seu impacto na comunidade bruxa no texto A cuia do eco.


Curiosidade sem magia: Nos tempos em que eram utilizados como animais de proteção, as Cucas eram avistadas mais facilmente pelas pessoas que não possuíam energia mágica (os portugueses não eram muito cuidadosos com as Leis de Sigilo, e isso causou grandes confusões com a corte sul-americana dos bruxos em 1810) e isso criou uma lenda. Algumas pessoas viam as Cucas ficando de pé nas patas traseiras como forma de mostrar força, confundiam suas jubas douradas com cabelos louros, e sua pele verde e escamosa de dragão era vista como a de um jacaré, e isso foi o suficiente pra se iniciar um rumor sobre uma bruxa jacaré de longos cabelos louros que se escondia nas matas fechadas e sequestrava criancinhas.





Rondolo: Imensas aves de rapina com 12 metros de envergadura de asas e bicos pretos cintilantes, olhos que refletem luz como raios e energia estática saindo das pontas das penas cinzentas. É fácil se impressionar com a aparência de um Rondolo, e também é muito fácil temer um animal tão imponente, mas é fato que essas aves são cautelosas e acolhedoras. Diz-se que casais de Rondolos são capazes de resgatar até mesmo criaturas de outras espécies e criar como se fossem seus filhos. Estes são os primos distantes da ave mítica norte-americana que era cultuada pelos nativos daquelas terras, o pássaro-trovão. A origem da espécie do Rondolo vem de séculos de cruzas entre espécies de aves mágicas imensas. Nenhum experimento não natural foi comprovado, mas há quem diga que Rondolos possuem algum traço de grifo em seu DNA.

As penas dessas aves são de dificílimo acesso, levando-se em conta o fato de que elas escolhem os picos mais altos e inacessíveis para construir seus ninhos, e nenhuma matéria-prima para a confecção das varinhas é conseguida de forma não natural, nenhum habitat é invadido e nenhuma criatura jamais será machucada. Portanto, precisamos da sorte para conseguir as penas tão desejada de exploradores corajosos que se aventuram nas matas que circundam os lares dos Rondolos e, por vezes, encontram suas penas cinzentas pairando tranquilamente no chão após uma muda. Quanto à aparência, é fácil reconhecer as penas de um Rondolo, primeiramente pelo seu tamanho, em que as penas menores chegam a medir 40 cm e isso não chega nem perto do tamanho das penas da cauda de um Rondolo adulto; elas possuem formações em zigue-zague num tom mais escuro de cinza e várias manchas prateadas reluzentes, e, mesmo depois de ser descartada numa muda, a pena de Rondolo ainda conserva sua característica mais marcante: a energia estática saindo de suas pontas.


Sobre o efeito: As varinhas produzidas com esse núcleo são geralmente farfalhantes, e isso se deve ao princípio básico de origem do animal. Rondolos, como todas as aves, são criaturas dos céus e isso lhes confere uma imprevisibilidade passada para as varinhas que recebem suas penas. As pessoas que melhor se encaixam com penas de Rondolos são aquelas de mentes aguçadas, atentas e que estão sempre em busca de alçar novos voos. É quase impossível manter as garras de um Rondolo no chão, exceto quando o assunto é família, e o mesmo se aplica ao feiticeiro que portar uma varinha possuindo esse núcleo. A esse núcleo é indicada a junção com madeira de ipê amarelo, pois irá conferir à varinha um equilíbrio inabalável.


Curiosidade sem magia: Assim como os nativos mágicos norte-americanos, os nativos mágicos, do local que agora chamamos de Brasil, também possuíam o podem de se transformar em animais, mas, no caso deles, esse poder se devia ao PAGÚ, que possibilitava quem o utilizasse transformar-se em quase qualquer criatura da fauna mágica e não-mágica do país. Porém, houve um tempo em que um chefe guerreiro fez uso do PAGÚ e se transformou em um gigantesco Rondolo de penas vermelhas e dizem que cada pena sua que caia transformava-se num pé de pau-brasil e seu canto ecoava em todos os 9 cantos da floresta amazônica e a sombra de suas asas, enquanto voava, percorria quilômetros de uma vez só. E essa é uma das origens mais bonitas para o nascimento do pau-brasil nessas terras, mas, obviamente, ninguém pode provar essas histórias. Nem negar.




Referências e ilustrações retiradas do fabuloso livro da Thais Câmara "O guia das Criaturas Mágicas, desbravando terras brasileiras". Disponível na nossa loja virtual!


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