MADEIRAS E SEUS SIGNIFICADOS PARTE 2




ANGELIM OU ANGELIM PEDRA


É comum entre os varinhologistas dizerem que feitiços de escape ou azarações escorregadias são mais facilmente produzidos com varinhas de angelim, pois sua madeira possui um tipo muito especial de oleosidade natural, o que acaba sendo impresso nas características principais dos feitiços executados. Quanto ao portador certo para uma varinha de angelim, é correto dizer que a pessoa não pode ser distraída ou dispersa, pois as varinhas produzidas com esse tipo de madeira raramente conseguem lidar com portadores pouco atenciosos. Mas, se por um acaso, uma varinha de angelim for parar numa família de matemáticos ou cientistas da área de exatas, posso garantir que ela aguentará firme e forte ser passada de um bruxo a outro por duas ou três gerações, principalmente se o núcleo escolhido for uma pena jovem de tinguaçú.


SUCUPIRA


Umas das madeiras para varinha mais belas que se pode encontrar no Brasil, a sucupira possui firme densidade e uma resistência invejável, mas é preciso alertar aos seus portadores que esse tipo de varinha não funciona bem em regiões litorâneas ou marítimas. Há registros que mostram que essa madeira aceita bem o núcleo de fibra cardíaca de dragão do mar e essa combinação é umas das poucas comprovadas que fazem as varinhas de sucupira funcionar bem com feiticeiros que precisem trabalhar com árvores aquáticas encantadas ou criaturas mágicas marinhas.

Uma curiosidade: há o ditado “Hoje o dia está seco como Jururú e sua sucupira”, que fala de uma bruxa, Raimunda Jururú e sua varinha de sucupira, que, costumavam dizer, nunca tomava banho e jamais largava a varinha. Mas é claro que alguns feiticeiros mais antigos que conheceram dona Raimunda podem afirmar que esses boatos foram criados maldosamente por sua vizinha e desafeto, Marlene Leléus.


CUMARÚ


Especula-se que varinhas de cumarú funcionem melhor com bruxos de idade avançada e com uma vivência mais calma, já que a densidade emocional dessa madeira impede que seus efeitos sejam plenamente alcançados quando portados por feiticeiros impetuosos ou enérgicos demais.

É muito difícil encontrar, nos dias de hoje, varinhas feitas dessa madeira, pois o trabalho com ela é dificultoso e o acabamento é demorado, mas há quem diga, e eu me incluo nisso, que as varinhas de cumarú deixaram de ser produzidas por conta da escassez em encontrar o único núcleo que essa madeira aceita, a essência de Fetch, que é uma raríssima criatura irlandesa. Ela assume a forma e as características de pessoas que estão prestes a morrer e se fazem passar por elas até que simplesmente desaparecem. Dizem que, se você desmascarar um Fetch, ele precisará entregar a você sua essência e desaparecer, e também que essa essência proporciona muitos anos de saúde, vitalidade e abundância material para quem a possuir; graças a isso, pessoas que conseguem a essência de um Fetch não querem vender essa matéria para a produção de varinhas.


CEREJEIRA OU UMBURANA


Essa madeira nobre produz varinhas valiosas. Primeiramente, pela aparência clara e brilhante, as varinhas de cerejeira muitas vezes apresentam veios dourados em certas partes e um cheiro intenso e adocicado que lembra baunilha. Dessa forma, é fácil identificar um bruxo possuidor de varinha de cerejeira apenas sentindo o perfume no ar. Mas o detalhe mais interessante da cerejeira é a maleabilidade que ela possui em conjunto com outras madeiras, como abeto vermelho e pau-brasil. É possível criar varinhas mesclando essas madeiras e intensificando a personalidade de cada uma de forma concisa e poderosa. Dessa forma, o núcleo ideal, e raro, é o cabelo de um curupira cedido de boa vontade.

O núcleo de cabelo de curupira é raro pois sua aquisição só pode ser feita das mãos do próprio curupira a quem o cabelo pertence, e este deve ceder seu cabelo de boa vontade, caso contrário, o fio de cabelo perde suas propriedades mágicas e, ao invés de um fio vermelho vivo faiscante, vira apenas um fio de cabelo feio e cinzento.


MUIRACATIARA


A muiracatiara, também conhecida como coração de tigre ou tigrisco, produz uma madeira facilmente identificável. Sua base é amarelada num tom caramelo, enquanto veios marrons escuros percorrem a extensão da madeira criando uma padronagem belíssima e única. As varinhas produzidas com essa madeira têm uma vida útil e longa e geralmente são passadas de pais para filha e assim por diante durante várias gerações. O cuidado com a preservação dessa madeira é indispensável para uma vida útil longa, pois ela pode rachar se exposta a muito calor ou frio, sendo preferida por bruxos que moram em regiões mais temperadas. O núcleo ideal para esse tipo de varinha é uma mistura de penas e pelos de urso-coruja (uma criatura de porte médio que tem o corpo similar ao de um urso recoberto com penas e pelos escuros e uma cabeçorra que lembra a de uma coruja com olhos brancos cegos).


PEQUIÁ


Uma madeira muito clara, esbranquiçada ou amarelada, e definitivamente não é o tipo para varinhas de feiticeiros com mãos delicadas, pois seu toque é áspero e pode dar choques em contato com o suor. Houve uma época em que os navegantes da Beira-mar de Fortaleza utilizavam varinhas de pequiá para auxiliar nas manobras com as grandes embarcações. Levando em conta a alta performance dessa varinha debaixo d’água, muitos bruxos pescadores também preferem portar varinhas feitas com essa madeira. A combinação de núcleo ideal para uma varinha de pequiá é a escama da Ipupiara.

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