Icamiabas ou O Reino Das Pedras Verdes

Atualizado: Jul 17

Em 13 de Setembro de 1941, uma sexta-feira, o explorador espanhol Francisco de Orellana viria a descobrir uma das grandes maravilhas dos povos encantados das terras originais do que hoje conhecemos como Brasil: As Amazonas.





Mas essa história, bem como a própria história mágica dos nossos povos nativos, começa bem antes da invasão e destruição estrangeira.

Durante o terceiro ciclo de passagem do PAGÚ, 300 anos após sua criação, quem ficou encarregado de cuidar e fortalecer a carranca foram as guerreiras da comunidade da serra da Itacamiaba, as Icamiabas ou Amazonas (como viriam a ser chamadas pelo explorador espanhol). Dessa comunidade, saiu a parte superior da estrutura do PAGÚ, um pedaço alvo de manacá da serra que continuou florescendo e dando à carranca um aspecto ornamental único, com flores em tons de rosa e branco.




manacá da serra

A estrutura das Icamiabas era completamente matriarcal, fato que se explicava por um detalhe curioso: nenhum homem proveniente das mulheres daquela comunidade jamais desenvolveu qualquer habilidade encantada ou mágica.

Nos dias atuais, as poucas famílias que descendem das Icamiabas e vivem nas regiões dos estados de Roraima, Amazonas e Pará ainda possuem a peculiar característica de jamais produzir homens mágicos, sendo fácil reconhecer uma grande família predominantemente feminina utilizando cintilantes colares de pedra verde.

Sobre o reino das pedras verdes, durante os primeiros 100 anos em que as Icamiabas ficaram de posse do PAGÚ, surgiu a necessidade de se criar meios de proteção contra as tribos desencantadas que sabiam da existência da comunidade de mulheres de peito partido (apelido criado graças a faixa transversal que as Icamiabas usavam cruzando o peito para carregar seus arcos) ou mulheres sem homem. Em uma manhã de muito sol e cercadas de energia encantada, a comunidade inteira se uniu de mãos dadas junto a raiz de um velhíssimo Manacá e criaram, a partir do PAGÚ, um nó na madeira dele, de onde saiu um rio multicor de pedras verdes, amarelas e vermelhas rusticamente talhadas em formato de animais silvestres. Havia sapos, araras, tartarugas e serpentes, um amuleto para cada guerreira, e elas os chamaram de Mbiraki’tã ou Muiraquitã (nó das arvores). Os amuletos eram capazes de impossibilitar a entrada de qualquer invasor nas terras das Icamiabas, bastando apenas apertar com força o Muiraquitã na palma da mão.


Bem antes de se instituir o uso comum de varinhas pelos povos mágicos e encantados, os nossos nativos utilizavam seus poderes e forças através de amuletos e miçangas com propriedades encantadas bem distintas e quase inquebráveis. Com o passar dos séculos, tornou-se comum a abertura da cultura tapuia para os outros povos desencantados (sem magia), causando alianças, uniões e até casamentos, e o encanto dos muiraquitãs virou uma prova de amor e proteção dado de presente ao ente querido.

Até hoje as terras das poderosas guerreiras Icamiabas são conhecidas como o Reino das Pedras Verdes.

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