As batalhas de Akin e a forja de Ogum

Atualizado: Jul 17

Vários povos foram arrancados de suas terras e seus lares, foram puxados dos braços de suas mães. Rainhas, reis, príncipes e princesas tiveram sua existência e seu esplendor apagados da terra em nome da ganância e da maldade de homens brancos, seres pálidos sem alma.


É fácil retirar um povo de seu lar, mas ninguém jamais conseguirá remover o lar da alma desse povo.



No ano de 1541, Akin, enfraquecido e quase cego pelos meses sem ver a luz do sol, chegou ao litoral pernambucano trazendo consigo apenas uma fivela de ferro presa ao cinto de corda e sua profunda fé inabalável nas forças antigas dos deuses de sua terra. Cinco anos após chegar às terras pernambucanas, Akin já havia reunido força e formado um grupo de escravos indignados com sua situação no cativeiro da casa da família Barthel.

Os Barthel eram bruxos colonizadores que vieram ao Brasil em busca de maior liberdade para executar seus feitos mágicos sem o perigo de serem caçados e jogados ao fogo ou enforcados em forcas de pau ferro. Não eram o pior tipo de família colonizadora, mas eram, ainda assim, seres pálidos sem alma.

Akin e Mandisa, sua esposa e filha de príncipes, haviam dado início a uma bela família mesmo em meio a tanta dor e sofrimento. Três crianças puramente mágicas, possuidoras dos encantos ancestrais de sua terra mãe; seus nomes eram Ras, Masi e Niara. Desde o nascimento delas, a vontade de causar uma grande confusão e fugir encheu ainda mais o peito de Akin e de seus leais amigos. Ele havia se tornado um tipo de mestre para aqueles que antes não tinham quaisquer perspectivas de liberdade.

A história revela que, durante os primeiros séculos, o povo africano mágico não empregou utensílios para executar seus rituais; a arte mágica de seus bruxos era revelada através de belas músicas retiradas de instrumentos feitos com elementos de animais mágicos sagrados, como partes de pele, ossos e chifres. A partir de algum ponto não verificável da história desses povos, alguns guerreiros passaram a encantar o metal da ponta de suas lanças, o que os ajudava a executar seus feitos mágicos com precisão e criando a fama de que esses povos eram indestrutíveis.

Akin descendia diretamente desse povo e conservava a crença e o poder dos antigos. Na pele possuía a marca da espada, o mesmo símbolo que carregava em sua fivela de ferro enfeitiçado.

Mas a maldade de seus raptores não tinha fim e, no entardecer de uma quinta-feira, o filho mais velho de seu senhor Barthel foi às celas baixas de paredes ásperas buscando alguma coisa com seus olhos, flamejando perversidade. O olhar de porco faminto recaiu sobre Niara. Ele ordenou que um de seus capatazes carregasse a menina dali e a levasse para a casa grande.


Agora, eu sou um contador de histórias, e gostaria de dizer que Niara ficou bem, mas, infelizmente, meu compromisso com a verdade me impede de negar os fatos. Niara foi levada à força da casa grande para o recém-inaugurado porto de Santos, muito longe de seus pais e seus irmão, para servir à outra família, no qual seria maltratada e abusada... Isso aconteceria, caso Akin não tivesse tomado as atitudes a seguir.

A família de Niara estava acorrentada pelos tornozelos, junto de outros 63 homens, mulheres e crianças. Akin cantava uma música baixa e poderosa, que logo contagiou seus companheiros e amigos e, juntos, entoaram um canto rouco indecifrável, que mais parecia o rugido de uma ventania ou o arder do ferro em brasa numa forja de metais, e as correntes brilharam, estremeceram e se partiram, as vozes ecoaram pelas terras em volta e ressoaram na superfície da água dos rios.



Akin segurou firme a fivela de ferro feita na forja de Ogum e a beijou, os olhos incandescentes, e a fivela acendeu em um brilho azul e branco capaz de cegar os algozes, que nunca mais foram vistos, bem como a casa dos Barthel, que ardeu em fogo azul.

O guerreiro libertou seu povo, mas não considerou aquilo uma vitória, pois sabia que se tratava apenas de mais uma porta aberta para grandiosas novas batalhas.


  • Texto escrito com a consultoria de Jefferson Rosa – Ministro Afro Religioso

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