A cuia do eco

Atualizado: Jul 17

Durante o período cerâmico crescente nas comunidades nativas brasileiras, o povo encantado descobriu uma forma de enfeitiçar a água para se comunicar.




Durante o período conhecido como Ananatuba, os povos indígenas do Pará desenvolveram uma nova forma de comunicação com o intuito de facilitar a transmissão de mensagens entre as comunidades de outras localidades. Esse artefato raro ganhou o nome marajoara, que significa “cuia do eco”.

A cuia do eco é uma bacia não muito profunda de barro encantado com os clássicos padrões artísticos do povo Cunani, que funciona da seguinte forma:

O indivíduo que pretende transmitir a mensagem deve encher a cuia do eco com água até que a borda emane uma luz esverdeada, igual ao lodo que fica no fundo dos rios. Nesse momento, deve banhar-se com a água já encantada. Ao cair a última gota de água esverdeada sobre a cabeça do indivíduo, irá surgir um eco, uma figura igual à sua em semelhança e aspectos físicos, mas inteiramente feita de água etérea intangível.

O indivíduo original deve passar sua mensagem ao eco e direcionar seu caminho informando o local para onde o eco deve seguir ou o nome da pessoa a quem o eco deve entregar a mensagem. Essa força encantada, conhecida como eco, percorre o caminho até o seu destino, entrega a mensagem e se desfaz em uma poça d’agua.


Foram criados pouquíssimos artefatos como esse, sendo apenas um para cada uma das nove comunidades encantadas mais conhecidas. Entretanto, ocorreu um evento em que uma cuia do eco salvou uma floresta inteira graças à ação rápida e a magia forte de Aruã.

Num dia quente, em meados do trigésimo cacicado, um distante ronco grave chegou à aldeia dos Terenas, falantes do dialeto Aruak. Os mais antigos logo souberam do que se tratava o ronco e cuidaram de se afastar das moradias e terrenos de trabalho com seus guerreiros encantados mais fortes, foram para junto das bananeiras altas e começaram a despejar miçangas multicoloridas que brilhavam intensamente levando um fluído incandescente do solo às folhas das bananeiras.

O ronco aumentou, se intensificou e juntou-se a um distinto bater de asas, asas pesadas de couro verde. Os que possuíam a visão do céu conseguiram distinguir as pontas delas dos topos das bananeiras. E o inevitável aconteceu. Uma grande revoada de cucas selvagens e enfurecidas chegou à barreira encantada feita de miçangas e jorrou fogo nas bananeiras na tentativa de ultrapassar o que as impedia de seguir seu caminho em direção a um vasto terreno desabitado, logo após os limites das terras dos Terenas.


O cacique Aruã tomou uma cuia do eco em suas mãos e correu até as margens do rio, onde encheu a cuia e se banhou, encheu a cuia e se banhou em uma velocidade inacreditável. Em questão de minutos, havia uma centena de Aruãs etéreos feitos da água verde do rio se posicionando para a guerra, fechando seus punhos aquáticos e faiscando gotas no lugar dos olhos.

O cacique ordenou que seu exército fosse em direção ao fogo, que já consumia os cachos de banana, e o apagasse. A imagem não poderia ser mais bela: uma centena de vultos aquosos arremessando-se por cima das arvores e apagando o fogo, criando um vapor com o doce cheiro de banana cozida. Além disso, ouviu-se o som distante de um grito de vitória vindo da garganta de Aruã, que estava ajoelhado no chão, coberto de cinzas e feliz pela vitória contra o fogo consumidor.

A revoada de cucas seguiu e não causou mais confusão.

Alguns guerreiros levaram cachos de banana cozidos pelo fogo das cucas, enquanto outros carregaram Aruã gritando seu nome e entoando um cântico que há muito havia se perdido, capaz de emanar beija-flores sibilantes das bocas dos encantados, algo na língua Aruak, impossível desse pronunciar nos dias atuais.

Essa história foi contada por muitos e muitos anos, até que a comunidade sofreu divisões, em que partes foram para o sul do país e lá ficaram, levando a seguinte história consigo:

Um poderoso guerreiro indígena derrotou sozinho uma revoada de dragões cuca, e, naquela noite, eles comemoraram com um tipo antigo de canção dos pássaros coloridos e fizeram um enorme bolo coberto com bananas cozidas no fogo de cuca.






O cacique Aruã decidiu homenagear o bolo com o nome dos dragões, e, até os dias de hoje, é possível encontrar em algumas casas bruxas a receita original da fumegante cuca de banana que faz sair fumaça pelas narinas de quem a come.

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